Vamos desmistificar o herpes labial. Este vírus, bastante incómodo e completamente disseminado e prevalente na população mundial, causa mais transtorno psicológico do que físico, quando diagnosticado precocemente e tratado convenientemente. Na minha prática médica sou apologista de explicar para descomplicar. É fácil perceber, depois de conhecermos as fases do herpes, que o contágio pode ser diminuído se formos conscientes.
A primeira fase: formigueiro e comichão
Prodrômico (dias 0-1): Os sintomas denotam alguma recorrência. É através deles que melhor identificamos a infecção activa do herpes labial. O facto de apresentarmos sintomas não significa que eles voltem a surgir com a recorrência média bi-anual. Por vezes voltam a aparecer apenas anos depois. Os sintomas geralmente começam com uma sensação ligeira de formigueiro ou comichão que se vai intensificando ao longo dos dias. Esta sensação é localizada e acompanha-se de uma coloração avermelhada em redor da área em causa. Os dois primeiros dias de sintomas são de extrema importância para um tratamento precoce e eficaz
Inchaço, vermelhidão, inflamação – O Herpes Labial causa dor!
Inflamação (dia 1): Após o aparecimento do formigueiro ou comichão, o herpes labial passa à próxima fase, a inflamação. Nesta fase, o herpes replica-se nas células nervosas, migrando para a pele através dos nervos sensitivos periféricos, que por sua vez induzem um inchaço e vermelhidão tão vulgarmente associados a nível da área cutânea que inervam respectivamente. Pré-sore (dias 02/03): Após a fase de inflamação, começam a aparecer pequenas vesículas inflamadas, que se enchem de líquido viral. São tendencialmente duras e dolorosas e provocam ainda mais comichão ou dor. A maior parte dos pacientes queixa-se ainda de uma sensação do tipo pulsação.
Ver para crer – Herpes Labial no seu esplendor
Lesão aberta (dia 4): Apesar de parecer grave, a expressão lesão aberta permite apenas identificar o rompimento das pequenas vesículas, cheias de líquido viral. É nesta altura que o virus do herpes labial apresenta a sua maior taxa de contágio e por isso é fundamental que o paciente proteja essa área de qualquer contacto, normalmente das mãos, copos e talheres. Além desta manifestação, ainda se pode manifestar um inchaço dos gânglios e eventualmente febres baixas e mal-estar geral.
A cura do Herpes labial inicia-se com várias camadas de crostas
Formação de crostas (dia 04 a 08): Felizmente passageira, a fase da lesão aberta dá origem, cerca de 4 dias depois, à fase menos dolorosa do Herpes Labial, dominada por formação de crostas. A crosta forma-se com base no soro do sangue que contém em si proteínas como a fibrina e que lhe dão um aspecto amarelo. A crosta indica-nos que o herpes labial se torna menos contagioso. Nesta fase apenas alerto os meus pacientes para terem cuidado com movimentos bruscos que possam romper a crosta, diminuindo assim a velocidade de cicatrização e claro, colocando novamente o líquido viral exposto. A cura (dias 08-12): A crosta envolve uma nova camada de pele, que vai aparecendo e desencadeando crostas sucessivamente mais pequenas. Nesta altura os pacientes costumam queixar-se de muita comichão e alguma irritação da pele. Mas além de comum são bons sinais de cicatrização do Herpes Labial. Pós-crosta (12-14 dias): A crosta cai e no seu lugar permanece uma área avermelhada, representativa da regeneração da pele. Alerto novamente o leitor de que o Herpes Labial ainda é contagioso nesta fase.
A evolução do Herpes Labial é diferente do Herpes Genital?
São ambos inofensivos, apesar de que quer um como outro podem evoluir para patologia pesadas como doenças neurológicas e cancro do útero. Ambos são recorrentes, apresentam a mesma evolução e tipo de contágio. Uma vez que a zona infectada é mais húmida (no caso genital) é possível que a cura do herpes genital seja mais prolongada e dolorosa. Qualquer suspeita de herpes genital deve recorrer ao seu médico dermatologista.